ANO 9 Edição 99 - Dezembro 2020 INÍCIO contactos

Nilma Lacerda


Diário de Macau    

O Diário de navegação da palavra escrita na América Latina tem sua primeira etapa realizada de 1999 a 2014. Contou com a supervisão de Roger Chartier, estendeu-se para outras regiões a que a pesquisadora foi levada, nos rastros das línguas portuguesa e espanhola.

Macau foi o primeiro entreposto europeu na Ásia e a última colônia portuguesa a ser devolvida, sem processo sangrento, à nacionalidade original. Em 20 de dezembro de 1999, reincorporou-se, como região administrativa especial à República Popular da China, o território que por mais de quatrocentos anos teve portugueses e chineses em aparente coabitação pacífica. No Brasil, a cidade homônima do Rio Grande do Norte deverá o nome a essa colônia ou às araras vermelhas que habitavam a região, chamadas de “macaw” pelos indígenas.

Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2011.

Nisto, no cruzamento à direita, a fachada de São Paulo.  [...]E entretanto as mais desordenadas ideias a atormentá-la:  se o suicida teria se atirado lá de cima de um golpe como uma estrela-cadente (a madre dissera que eles se despenhavam) ou se, tal uma ave de grande porte, vasto, o seu voo, e devagar.

Maria Ondina Braga, a última frase de seu Nocturno em Macau. Me espreitavam ambas, sem que o soubesse, nos antecedentes dessa viagem projetada havia quase um ano. As providências avançavam, inscrição de trabalho, bilhete aéreo, reserva no hotel, e a dúvida latejando: devo mesmo ir? Os motivos profissionais sustentam a viagem em período de trabalho, o fato de não ser viagem de férias limita, acrescenta trabalhos. O momento familiar, difícil, este simpósio de Língua Portuguesa em Macau, bem além dos terrenos a que estou acostumada, este diário de navegação, tarefa e álibi de viagens. O calendário indiferente pingando avisos, é semana que vem, é amanhã, é hoje. Deixei em solo a vida que pesava, embarquei.

“... reuniões de pacatos burgueses que se juntam à volta de vários narradores profissionais para ouvir as histórias que eles contam. Na China, há muita gente que prefere frequentar um desses círculos, não só para se poupar ao trabalho de ler um romance ou uma novela mas porque o povo se delicia com os comentários que os narradores fazem às diversas peripécias por que passam os seus heróis, prazer esse que não lhe pode ser proporcionado pelos livros, cuja leitura é demasiado árida em virtude de concisão e laconismo com que são expressas  as ideias na intrincada escrita chinesa.

[....] Assim, “conte-me uma história” não só é uma das primeiras frases que o petiz chinês aprende a exprimir, como representa uma das suas mais imperiosas necessidades.”

O texto está em Curiosidades de Macau Antiga, de Luís Gonzaga Gomes.

Macau, 28 de agosto de 2011.

O avião pousa em Hong Kong. Paulo Cesar, meu marido, e eu tomamos o ferry no próprio aeroporto, fazemos a imigração em Macau. Mostramos ao taxista o nome do hotel escrito em chinês, conforme nos fora recomendado, ouvimos uma pronúncia oriental para Taipa, a ilha em que está situado o Regency. Não fizemos câmbio no aeroporto e corremos à recepção para trocar os dólares norte-americanos por patacas e pagar ao motorista, que as recebeu com resmungos. Preferia dólar de Hong Kong.

O inglês é o idioma com que nos recebem. O português? Sequestrado desde o e-mail inicial, em que solicitava a reserva para o período do simpósio: “Dear Madam. Write in english, please”. E a condição de língua oficial? 2.000 portugueses em meio a cerca de 550 mil habitantes, que força têm? Nomes portugueses que encontrarei escritos por toda a parte, este livro que logo descubro, em exposição no hall do hotel:
Um marinheiro em Macau
1903
Álbum de viagem
Filipe Emílio de Paiva
1° tenente de Marinha
Museu Marítimo de Macau, 1997

A língua portuguesa, rastro de caravelas e porões.

Levantado do chão, o portal de São Paulo deixa que luz e vento o transpassem, permite que o visitante perceba o dentro e o fora como questão de direito e avesso. Um ferrão de abelha preso à terra, como se ali a tivesse  picado,  o portal resiste a tufões, a impérios caídos.  Os capitéis são mais altos que tudo em volta, e creio que deles se poderia ver o templo da deusa A-Ma, na colina junto ao porto em que os portugueses chegaram.      

    Macau, 29 de agosto de 2011.

Na boca do navegante português, A-Ma-Gao, baía da deusa A-Ma, vira Macau, território sob o domínio de Portugal até 1999, quando se torna região administrativa especial da China. O império comercial lega à Ásia essa língua portuguesa que venho ávida ouvir em Macau, e que me é negada no hotel, na rua. Vou encontrá-la pródiga no III Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, realizado na Universidade de Macau, sob a presidência do professor brasileiro Roberval Teixeira e Silva, radicado há algum tempo na cidade. Aprendo que a implantação do ensino do português na China é fruto direto da viagem do então vice-presidente João Goulart, em 1961, e o grande interesse que o idioma desperta atualmente é devido à posição do Brasil no cenário mundial. É preciso aprender o português para falar ao parceiro distante nessa língua que não interessou aos chineses ao longo dos séculos de domínio, mas que transportou marcas da cultura européia, registrou o sofrimento para os mestiços, fruto de divisões étnicas profundas. Uma língua que arranha a pele das palavras, verte-se, flores ácidas sobre papel. As intervenções no simpósio são pródigas, dicções saborosas de uma língua que cruzou mares, emprenhou culturas. Por África, Ásia e América, a língua portuguesa navegou estradas. O linguista brasileiro Marcos Bagno constata a crioulização das línguas modernas, no processo de mescla entre idiomas locais e os trazidos pelos colonizadores. Não há idioma puro, as línguas faladas no século XXI nutriram-se do húmus fecundo de batalhas e comércio.

Os azulejos estampam a cultura árabe na cara lusitana. Fundada em 1998, instituída pelo Estado Português, pela Fundação Oriente e pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, a Escola Portuguesa de Macau é herdeira de duas instituições de ensino em língua portuguesa, o Liceu de Macau e a Escola Comercial Pedro Nolasco, e tem por objetivo garantir as condições de funcionamento e desenvolvimento de uma Escola Portuguesa em Macau, como instituição particular sem fins lucrativos.  Nas fotos do website, os rostos são portugueses, e o semblante oriental, tanto entre alunos quanto professores, pouco aparece ou mostra traços de mestiçagem.  

Macau, 31 de agosto de 2011.

“Uma escola de gente gira” – está na página inicial do site. As informações de meus dicionários sobre o sentido dessa palavra certamente não correspondem ao enunciado. Na língua falada em Portugal, gira corresponde ao regionalismo brasileiro legal, palavra-ônibus que qualifica pessoas ou coisas com atributos positivos. Uma escola de gente legal, interessante, vivaz. Uma aventura em Macau, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, um dos livros que veio na bagagem, voltado ao público jovem, abusa do adjetivo, que não parece no Dicionário contrastivo luso-bBrasileiro, utilizado para a construção das falas de meu personagem português em Olho de Rembrandt. Mas voltemos a esta escola que na sua entrada mostra um belo painel em pedra, de corte oriental, onde se pode ler “O ignorante não vê a mesma árvore que um sabedor”.

Localizada no centro de Macau, na Avenida do Infante D. Henrique, dos seus jardins pode-se ver o hotel Grande Lisboa, um dos suntuosos cassinos da cidade. Mas a escola passa longe de sortes e azares das roletas, lugar de trabalho que é, onde é preciso também nutrir o corpo e, em sua cantina, uma das opções do cardápio é “carne de vaca estufada com esparguete”. Um riso de estranhamento: no português do Brasil, a letra sobra na palavra.

A antiga rua do Buraco d’Água, hoje rua do Campo, cruza com a rua Pedro Nolasco da Silva. Deveria, em dado momento, ter-se chamado rua Dr. Edgard de Souza, mas este médico que atendia aos pobres acabou deslocado para o bairro popular de Fai Chi Kei. Antepassados de Rui Manuel de Souza Rocha, saudosos como ele, talvez, dos azuis atlânticos, ajudaram a construir este território, pátria de exílios permanentes.

Macau, 3, 4 e 5 de setembro de 2011.

Vim a Macau seduzida pelo português distante, e advertida previamente sobre a decepção que teria. Quase não se ouve português em Macau. Na visão de Rui Rocha, diretor do Instituto Português do Oriente (IPOR), uma das razões da pouca presença do idioma estaria na falta de integração entre as culturas. “Portugal virou as costas para os chineses”, diz, avaliando como indiferença o que costuma ser tomado como convivência pacífica entre os dois povos. Se a divindade budista Na Tcha e o cristão São Paulo mantiveram seus templos lado a lado, é porque os fiéis não se misturavam uns com os outros. Pragmáticos, os chineses aceitavam a presença estrangeira por interesse do comércio que bem faziam os portugueses. Fazem-no ainda, navegando em águas presentes, trabalhando para preservação da cultura portuguesa no território que ocuparam por cinco séculos. Hoje, em Macau, o português é uma saudade estampada nos dizeres de monumentos e edifícios públicos, uma ausência nos hotéis, mesmo quando um dos espaços do restaurante do Regency chama-se A Pousada Café.

No entanto, o IPOR e a Fundação Oriente publicam cultura e literatura macauense em língua portuguesa, pois “A língua portuguesa não foi só língua de comércio, mas também de cultura”, me diz Manuel Francisco Moreira de Almeida, responsável pela biblioteca Camilo Pessanha, do IPOR, em que passei horas das mais agradáveis de Macau. O aroma a madeira e papel, a luz no ponto justo para a leitura, a penumbra em volta, halo de leitores.  Conversamos muito à vontade, fala-me de certo livro, “grande demais para o que está lá escrito”, entusiasma-se com o novo acordo ortográfico: “O preço dos livros ficará mais barato, editoras fortes em Portugal apostam no Brasil”. O assunto chega ao clima, aos tufões, à cauda dos tufões. Lembro da origem árabe da palavra, ele me diz: “Nós, portugueses, se não tivéssemos estado aqui em Macau desconheceríamos esta palavra”. 

Perder uma palavra na língua. De que tamanho a lacuna?

Me fala ainda, este bibliotecário, de Nocturno em Macau, obra-
prima de Maria Ondina Braga que exalta como leitor, mas “Está esgotado” – adverte. “Você não vai encontrá-lo.” Falo em compra via web, recurso à Biblioteca Nacional em Lisboa. Ele descrê. Mais tarde, de novo em frente à Livraria Portuguesa, que vou perder se...? Sou atendida em português pela gerente que se dirige em chinês ao funcionário, indicando o livro solicitado. Ele some entre as prateleiras, aparece com o livro na mão. Não posso deixar de rir comigo. Este bibliotecário tem o tesouro no jardim, e não sabe disso? Ester, a professora portuguesa em Macau apaixonada por um chinês, e sucumbindo ao preconceito, me acompanhará em sua complexidade e limites. Concordo com Manuel Francisco: como escreve bem esta mulher. Outras autoras, outros autores vieram comigo, Deolinda da Conceição e Enrique Senna Fernandes, representantes da literatura macaense em língua portuguesa. Os contos de Cheong-Sam: a cabaia, de Deolinda, mostra uma autora empenhada em denunciar as condições de opressão da mulher, o desconhecimento mútuo entre portugueses e chineses, as dores de uma cultura assolada pelo tradicionalismo e pela superstição, a empurrar as pessoas para a fatalidade. Nam Vam; contos de Macau, de Senna Fernandes, constrói, em narrativas primorosas, retratos psicológicos e culturais de um tempo singular, com o preconceito étnico instalado na base de uma sociedade que toma o português como elemento superior, tema da novela As alucinações de Ao Ge, de Lio Chi Heng, publicada pelo IPOR, em edição bilíngue. 

Os inúmeros livros que me foram presenteados por Rui Rocha encorpam a visão de uma cultura de revelações, como a que me promete a professora Ana Paula Dias, boa cronista da terra, embora chegada a Macau há apenas dois anos. Apresenta pontuações oportunas sobre o ensino de português como língua estrangeira e me promete uma crônica sobre a experiência de consultar um adivinho em Fai Chi Kei. (Quando o ônibus passa com esse letreiro, o ar pesa de desígnios.)

Andamos pela cidade, passeamos pela Avenida D. João IV, pelo Largo da Companhia de Jesus, pelo Largo de Camões, Largo de Santo Antonio. Encontramos a Creche O Paraíso Infantil, a igreja de santo Antonio, o prédio da Fundação Oriente, o Beco da Romã, subimos a Escada do Coxo, em Vila da Taipa. Marcando o caminho, as delicadas placas de cerâmica branca, o azul forte nas margens e letras, nos caracteres. À entrado do Museu de Macau, a placa no jardim:
As plantas em vasos são bens públicos,
agradecemos que não os levem.

Caminhei por mais de uma hora pelo jardim de Lou Lim Ioc. Muitas plantas semelhantes às que conheço no Brasil, algumas mesmo de meu jardim. Salgueiros- chorões, lagos, orquídeas, estátua de deusa com ganso, painel de cerâmica, peixes, tartarugas, pontes. Ilha no lago, lótus, bonsais, bancos, grutas. Na biblioteca Sir Robert Ho Tung, a maior biblioteca pública de Macau, jardim, pátio interno com mesas e cadeiras, fontes mouriscas. Uma sala de leitura para crianças, com um pequeno túnel de entrada tomado por pinturas de personagens infantis, a maior parte – infelizmente – de desenhos animados. Livros em inglês, A. A. Milne com seu Winnie, the Pooh, Roald Dahl, G. Stilton, Lewis Carroll, Grimm, Defoe, histórias bíblicas, Disney, muito Disney. O pequeno leitor, aí por seus sete anos, segue concentrado há mais de meia hora em sua leitura, rindo com os quadrinhos.

Uma língua que navega instala-se, cria raízes. Contamina-se, mostra-se patoá, se rarefaz à partida das caravelas. Mas uma língua é quem nela habita e professa, e faz da cultura que a abriga um movimento permanente, onde cabem, como nos jardins, desvãos, pontes, vazios e labirintos. Síntese de yin e yang, essa língua portuguesa em Macau move-se no diapasão aberto por Maria Ondina: “Há na literatura chinesa um verso que define uma bicicleta: ‘Só quando avanço é que não caio’”.

Só quando avanço é que não caio.

“Creio que todos nós que ali fomos, dos mais crentes aos mais céticos, gostaríamos que a vida pudesse ser lida assim de forma definitiva numa tarde cinzenta, fria e húmida de Macau, num bairro popular e simpático como este. Gostaríamos que uma senhora inofensiva de idade indefinida, com a fotografia da filha na parede, nos esclarecesse o corpo, a mente, o passado e o que está para vir, nos apaziguasse as ansiedades e nos dissesse que no futuro (que pode ser já amanhã mesmo) alguém nos amará profundamente, o nosso trabalho será gratificante e que a doença não irá corroer‐nos o corpo até nos retirar toda a dignidade.”

O parágrafo finaliza a crônica de Ana Paula Dias, datada de 27 de março de 2011. “Fai Chi Kei: we’re on the road to nowhere”. Algumas moedas de patacas ainda na carteira, as lembranças da viagem, marcadores de livros em metal rendado, muitos livros na bagagem, como de costume, a memória das ruas, a praça do Leal Senado, o restaurante Platão, a Livraria Portuguesa, as casas-museu de Taipa, onde antigos funcionários da administração moraram. Macau. Para minha referência, o outro lado do mundo, doze horas de diferença no fuso, dia quando noite, noite quando dia. Macau, os arranha-céus, os cassinos, flores de mau gosto levantando-se gigantes no solo de comércio e desencontros. Macau, que vozes a me chamar?

 

 

Nilma Lacerda: Escritora brasileira, nascida no Rio de Janeiro, autora de Manual de Tapeçaria, Sortes de Villamor, Pena de Ganso, Cartas do São Francisco: Conversas com Rilke à Beira do Rio, Pégaso na sala de jantar. Tradutora, ensaísta, recebeu os prêmios Jabuti, o Prêmio Rio, o Prêmio Brasília de Literatura Infantojuvenil e outros. Escreve para a Revista Pessoa de Literatura Lusófona (www.revistapessoa.com) e São Paulo Review (www.saopauloreview).

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Paginação:

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